
Exame foi solicitado após a defesa da parlamentar pedir a retirada da tornozeleira eletrônica utilizada desde que a prisão preventiva foi convertida em domiciliar por questões de saúde.
A vereadora afastada Tatiana Medeiros esteve no Instituto de Medicina Legal (IML), em Teresina, na tarde desta segunda-feira (11), para passar por uma avaliação psiquiátrica determinada pela Justiça Eleitoral. O exame foi solicitado após a defesa da parlamentar pedir a retirada da tornozeleira eletrônica utilizada desde que a prisão preventiva foi convertida em domiciliar por questões de saúde.
Enquanto aguardava atendimento na recepção do IML, a vereadora demonstrou abalo emocional e chorou diante da movimentação no local. Cerca de duas horas depois, uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foi acionada após Tatiana apresentar uma crise de ansiedade.
A avaliação psiquiátrica ocorre em meio ao avanço do processo que resultou na condenação de Tatiana Medeiros a 19 anos, 10 meses e 7 dias de prisão. A sentença foi divulgada no último dia 27 de abril e também determinou a perda do mandato, pagamento de multa, indenização de R$ 1 milhão por danos coletivos e proibição de exercer funções públicas.
O caso é considerado um dos maiores já investigados pela Justiça Eleitoral no Piauí. De acordo com a decisão judicial, a parlamentar teria participado de um esquema envolvendo compra sistemática de votos, lavagem de dinheiro, peculato-desvio, falsidade ideológica e organização criminosa durante a campanha eleitoral de 2024.
As investigações apontam que a estrutura funcionava com divisão de tarefas entre os envolvidos e movimentação milionária de recursos ilícitos. Conforme o Ministério Público, mais de R$ 2 milhões teriam sido utilizados de forma irregular no financiamento da campanha.
Um dos pontos destacados no processo foi a utilização de uma instituição social ligada à vereadora para distribuição de benefícios a eleitores, prática que, segundo a acusação, influenciava diretamente o comportamento do eleitorado. Também foram identificadas transferências bancárias suspeitas e supostos pagamentos em troca de votos.
Tatiana Medeiros foi presa em abril de 2025 durante uma operação da Polícia Federal. Inicialmente encaminhada para uma unidade militar, ela posteriormente obteve prisão domiciliar após apresentação de laudos médicos. Desde então, permanece afastada da Câmara Municipal de Teresina e monitorada por tornozeleira eletrônica.